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sexta-feira, dezembro 23, 2016

Presente: Bolsa de tricô


Queria ter guardado a data em que minha mãe me deu a lindíssima bolsa de tricô azul feita de fio de malha, creio que foi no segundo trimestre deste ano (2016).

Não foi a primeira bolsa de tricô que minha mãe me deu, comecei a universidade (em 2003) usando duas bolsas de tricô que ela fez com linha uma toda colorida e a outra toda preta, usei elas até cansar. Uso e guardo (mesmo que na memória apenas) as bolsas que ela fez e me deu com muito carinho.

Mas foi a bolsa de tricô azul de fio de malha que me fez querer aprender tricô.

Comprei uns rolos de fio de malha em agosto, mas só parei em casa em outubro, no primeiro dia do mês (essa data guardei), sentei no sofá me sentido uma criança de doze anos e pedi a minha mãe que me ensinasse a fazer uma bolsa com tricô.

Parecia uma coisa de outro mundo, usar um par de agulhas para passar o fio numa amarração ordenada e complexamente simples. Nem vou falar da parte inicial para amarrar a linha em uma das agulhas que foi a parte mais difícil pra mim. Depois de umas duas horas repetindo, consegui quebrar a primeira impressão de que não aprenderia jamais. E a noite, quando retomei o aprendizado dessa vez buscando lembrar sozinha o passo a passo, o tricô começou a fazer sentido, quanto mais eu fazia mais gostava de fazer, mesmo pegando troncho na linha e errando a sequência.

A primeira bolsa que fiz também foi azul e tem como dona a minha mãe. 

Não acreditava que tinha habilidade para construir uma bolsa com minhas mãos, através do tricô descobri um mundo de possibilidades que achava inacessível. Além de ousar construir mais que uma dezena de bolsa com linhas ordenadas e desordenadas, também pude construir o meu figurino (três aventais) para uma espetáculo que estou fazendo (Alice?! - Cia. do Chapéu).

Nesses dois meses o tricô foi meu vício e terapia, a vontade de fazer bolsas se renova a cada fio de malha que encontro aqui em casa, ou compro; o desejo de continuar fazendo tricô é germinado quando concluo uma bolsa, às vezes até no processo de uma bolsa pego outras agulhas e começo uma outra bolsa. Não tenho vontade de parar, quero concluir e começar uma nova bolsa. Através do tricô reflito em outro tempo, relaxo, respiro, caminho na linha e na entrelinha. 

Um presente que recebi de minha mãe e que estou adorando passar adiante.


quinta-feira, agosto 04, 2016

A sinceridade das lágrimas

O que me toca mais intensamente culmina em lágrimas, alegres ou tristes. Dificilmente passei por alguma situação muito boa ou muito ruim sem chorar. Acreditava que era uma fraqueza, excentricidade, bobeira, uma vez que ficava como a chorona da história.

Acredito que é como me fortaleço, amadureço, desabafo, para poder seguir, ter consciência de que as lágrimas não me paralisam, mas renovam. É muito mais desgastante fazer força para não chorar, empatar, não desaguar.

Com as lágrimas estou sendo sincera comigo, com o que sinto, e nem sempre entendo direito, com o que não consigo expressar de outra maneira (ou não me permito).  Permito, e com o choro também vem a leveza. Ao fim das lágrimas uma nova energia pode e surge.

quarta-feira, junho 15, 2016

Plataforma de aprendizado


Dentro das ações que vivenciei na época que comecei a estudar fotografia, andar de trem foi (e é) uma das mais intensas. A primeira vez que fiz o trajeto Maceió-Lourenço Albuquerque também foi a primeira vez que andei de trem e que fotografei em um transporte ferroviário.

Para as pessoas habituadas a andar de trem, metrô e similares (mesmo andar de ônibus), dizer que andar num transporte público fotografando é uma experiência prazerosa e intensa pode parecer um absurdo. Mas para quem pouco anda em um determinado transporte (avião, ou outro), só o viajar é intenso e o fotografar pode ser bastante prazeroso. Inclusive para mim fotografar ao andar de ônibus é também intenso e prazeroso (o urbano principalmente que vai mais lento e para mais).

Rememorando as minhas poucas viagens de trem de Maceió a Rio Largo (Lourenço Albuquerque) visualizo como essa plataforma tem me proporcionado aprendizado. Quer por hoje reconhecer mais o trajeto, ou pelo que exercito e descubro fotograficamente.

Antes de voltar a andar de trem em 2014 (uma década depois da primeira vez que andei), não considerava associar reflexo com trem, mas já sabia o quanto poderia fotografar, baseado no tanto que não consegui das outras vezes que andei. 

Estava tão sem enxergar a possibilidade de associar trem e reflexo que a primeira associação que pude fazer foi por andar em um dia chuvoso e encontrar poças d'água em Rio Largo enquanto esperava pelo VLT. Ou quando levei os caleidoscópios e fiz fotos de reflexo através deles.
Ainda com dificuldade em associar reflexo e trem, hoje levei dvd, um espelho e um caleidoscópio, pois estava determinada a fazer fotos com reflexo. Foi mais produtivo do que imaginava e mais desafiador. O caleidoscópio nem usei, o dvd pareceu menos produtivo e me empenhei em fotografar com o espelho (já resgatando outra conexão um tanto esquecida).

No entanto, a grande revelação reflexiva no trajeto não foi através de nenhum das superfícies que levei, mas por conta das paredes do trem. Quando finalmente enxerguei os reflexo nela. Sim, já havia percebido possivelmente em outras viagens, mas nunca priorizei ou registrei com a sensibilidade de hoje.



E aí ficou a vontade de voltar sem todas as opções de superfície que levei para poder me dedicar só ao que for possível encontrar dentro do trem.