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segunda-feira, maio 21, 2007

Cantiga da madrugada

Mesmo com toda troca de argumentos e de carinho ainda era difícil de acreditar em toda a dinâmica e intensidade que poderia existir entre dois seres que mal se conheciam. A madrugada acolheu-os no primeiro dia, no segundo e esticou-se para que eles se conhecessem melhor no terceiro.
Combinaram então a madrugada com a tarde e o anoitecer, e assim o encontro e a conversa do quarto dia permitiram que eles se desvendassem mais um pouco entre as ruas do centro, num mundo que até então era só dela. E continuaram tentando descobrir o quando podiam aproveitar da madrugada e dos outros horários do dia, pois depois daquele dia ela enxergara encantadoramente que o hoje estava no ontem e no amanhã.
As conversas do quinto dia pelo fone à tarde e a pela net a noite. No sexto dia pediram arrego a uma linda manhã. Ainda esperaram pelo sétimo dia e a acolhida que a madrugada sempre lhes oferecera. E neste dia a net deixou de ser o único meio de comunicação da madrugada, teve início então as conversas ao telefone, de olhos fechados quase dormindo e só ouvindo as vozes um do outro.
Nos dias que se seguiram veio a troca de e-mails e com isso lindas composições foram sendo dedicadas de um para o outro. Conversas, composições e vozes de madrugada, definitivamente ela não só acolhia o que eles sentiam como se tornara a melhor amiga dos dois. Embalava e unia eles, permitia que desejassem estar cada vez mais juntos ou realizassem o desejo de estar juntos ao menos naquele momento.
E não se cansavam serem acolhidos por ela e de passá-la em claro e de pedir permissão aos outros horários do dia, com ou sem sol, para colherem os frutos deste contato único. A chuva vez ou outra dava o ar da sua graça, só para lembrá-los que dessa vez poderiam desfrutar da chuva juntos ou esconderem-se dela debaixo do guarda-chuva.
Riam das mesmas coisas, adivinhavam pensamentos e faziam mais um pelo outro do que imaginaram que alguém poderia fazer por ou para eles. Sempre haveria incertezas, pois era difícil acreditar que um sentimento daquele estivesse aflorando ou que suas flores não murchariam no dia seguinte.
Contudo o ontem e o hoje abriram espaço para o amanhã. E os dois não cansavam de escrever, de falar, de sorrir, sempre querendo mais... Querendo principalmente libertar-se das dúvidas, dos problemas, das decepções... Só tinha espaço para palavras espontaneamente belas e sentimento.
Só tinha espaço para os dois, um espaço onde eles eram mais, eram eles, eram um e o outro. Suas mentes nunca parariam de fervilhar, pois o encontro deles fazia tudo mais simples, mais proveitoso, tudo tinha mais sentido, conspirava, sintonizava, ploriferava... Tudo ou quase tudo, mas principalmente os dois.

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